Corretora as a Service: o modelo que destrava o mercado de capitais digital

Neste artigo você vai ver:

Existe uma confusão que custa caro a quem opera no mercado de capitais digital que é se preocupar somente com tecnologia, plataformas e tokens, e não se preocupar em entender quem realmente tem autorização para distribuir o que está sendo estruturado.

O modelo de Corretora as a Service existe para preencher essa lacuna de forma operacional, dentro do mercado regulado, sem que as instituições precisem construir do zero uma estrutura que levaria anos e capital significativo para ser viabilizada. 

Este texto é uma análise técnica e estruturada do problema, da arquitetura de solução e do papel da infraestrutura de mercado para ativos digitais regulados que viabilizam esse modelo na prática.

Mercado de capitais digital: mesmos instrumentos, mesmas obrigações, diferente camada de execução

Vale desfazer uma confusão logo no ponto de partida. Quando o tema é mercado de capitais digital, uma parcela relevante dos participantes pensa que se trata de um “mercado alternativo”, com outro conjunto de regras e outros ativos, uma camada paralela que opera fora do sistema regulado. 

Essa leitura está errada, e importa porque leva profissionais a decisões equivocadas sobre onde investir tempo, capital e estrutura.

O mercado de capitais digital é o mesmo mercado. 

Os instrumentos são os mesmos: debêntures, notas comerciais, CCBs, CRIs, CRAs, direitos creditórios, cotas de fundos estruturados. 

As obrigações são as mesmas: custódia, escrituração, liquidação, controles de PLDFT, suitability, informação periódica. 

A exigência de que a oferta de valores mobiliários aconteça dentro de uma estrutura autorizada pela CVM permanece exatamente igual. Não existe janela digital que a contorne.

O que muda é a camada que executa tudo isso. Registro, distribuição, liquidação e pós-emissão podem ser executados com infraestrutura digital, com rastreabilidade nativa, automação de eventos e custo operacional menor. A substância regulatória do que está sendo feito, porém, não muda.

Essa distinção parece técnica, mas orienta as decisões de infraestrutura. Quem entende que o movimento é sobre a camada de execução, e não sobre a criação de um mercado novo, escolhe de forma diferente de quem ainda procura o “produto digital” certo para lançar.

A BlockBR é uma infraestrutura de mercado para ativos digitais regulados e opera exatamente nessa camada. Não cria mercados novos, não emite produtos próprios e não é marketplace. É a infraestrutura que permite que gestoras, family offices, securitizadoras e estruturadores criem, operem e escalem negócios financeiros digitais dentro do mercado regulado que já existe.

O custo real da fricção: o gargalo que ninguém contabiliza direito

O mercado de capitais brasileiro funciona. O problema é quanto custa fazê-lo funcionar e quem esse custo exclui.

Uma emissão estruturada carrega um conjunto de custos fixos que existem independentemente do tamanho da operação: estruturação jurídica do veículo, formalização dos documentos, contratação de prestadores especializados (agente fiduciário, custodiante, escriturador, auditor quando aplicável), processo de distribuição e toda a estrutura de controles pós-emissão. Esse conjunto não escala linearmente com o volume captado, existe de qualquer forma.

O resultado é um piso econômico. Abaixo de determinado volume de captação, a operação não fecha a conta, e não porque o crédito seja ruim ou o ativo não tenha lastro. A máquina de executar é cara demais para o ticket disponível.

Quem fica de fora dessa conta? Uma faixa enorme de operações economicamente saudáveis como:

  • Recebíveis performados de empresas médias do setor industrial, agro ou saúde;
  • Crédito estruturado de originadores regionais com histórico de adimplência;
  • Operações imobiliárias de porte intermediário com fluxo de caixa previsível. 

Todos esses ativos têm lastro real, têm pagador identificado, têm estrutura econômica que justificaria uma emissão, e não chegam ao mercado de capitais porque a máquina de chegar lá custa mais do que a operação comporta.

A leitura correta do problema é econômica, não tecnológica. O custo fixo de execução cria um piso. Reduzir esse piso é o que abre o mercado para operações que hoje ficam de fora. 

E é exatamente isso que a mudança na camada de execução permite fazer, quando essa camada é infraestrutura compartilhada e não precisa ser construída do zero por cada operador.

A barreira real é a autorização para distribuir valores mobiliários

Aqui está o diagnóstico que a maior parte das análises do setor erra. Quando uma gestora independente, uma securitizadora ou um escritório de estruturação de ativos decide montar uma operação digital própria, as conversas invariavelmente começam pelo mesmo ponto: qual plataforma usar, quanto custa desenvolver, quanto tempo leva para ter o ambiente funcionando. 

E todas essas são as perguntas erradas para começar.

Tecnologia é a parte solucionável do problema. Com o time certo e orçamento adequado, é possível ter uma plataforma de investimentos operando em meses. O problema nunca foi construir a tela. A questão é o que acontece antes de qualquer investidor colocar dinheiro nela.

Não existe quantidade de engenheiros que produzam uma autorização para distribuir valores mobiliários. A atividade de ofertar e distribuir valor mobiliário no Brasil exige que a operação aconteça dentro de uma instituição devidamente autorizada, uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) ou equivalente, sob supervisão da CVM e do Banco Central. 

Obter essa autorização envolve exigências de capital mínimo, estrutura organizacional, área de compliance formalizada, pessoal qualificado com certificações específicas e um processo de análise que historicamente ocupa um período de tempo significativo para ser concluído.

A maioria das casas que teriam produto real para distribuir, originadores com carteira de qualidade, gestoras com base de clientes estruturada, estruturadores com acesso a operações de crédito, não tem interesse nem porte para assumir a responsabilidade fiduciária de uma distribuidora regulada. 

E foi assim que o mercado se acomodou numa solução cronicamente ineficiente: quem tem o ativo e quem tem a relação com o investidor entrega a operação para quem tem a licença. E perde no processo margem, controle da jornada e, com o tempo, o próprio relacionamento com o cliente.

O modelo de Corretora as a Service é a resposta estrutural a esse problema. Ele não cria um atalho regulatório, faz exatamente o oposto. Cria um caminho para entrar no mercado regulado sem precisar construir uma instituição regulada.

O que é o modelo Corretora as a Service?

Corretora as a Service é um modelo operacional em que a cadeia de uma operação de mercado de capitais, da originação ao pós-emissão, roda sobre uma base integrada, de modo que uma instituição possa ofertar valores mobiliários com a própria marca sem ser ela mesma uma corretora ou distribuidora.

Cada participante atua no seu papel: as atividades reguladas são desempenhadas pela instituição autorizada responsável por cada operação, e a BlockBR entrega a infraestrutura que conecta todas as etapas.

É uma arquitetura operacional, não um produto de prateleira.

Oito etapas, oito trocas

Uma operação de mercado de capitais percorre oito etapas:

  1. Originação;
  2. DCM e qualificação;
  3. Securitização;
  4. Emissão e tokenização ;
  5. Registro;
  6. Oferta e distribuição;
  7. Liquidação;
  8. Pós-emissão.

Entre cada uma das etapas é um ponto onde, hoje, o mercado troca de prestador, de contrato e de sistema. Cada troca é custo, prazo e risco. As trocas mais comuns aparecem em quatro lugares.

A securitização desconectada da distribuição

O ativo é estruturado por um agente, emitido por outro, registrado por um terceiro e distribuído por um quarto, cada um em seu sistema, com passagens manuais entre eles. 

Sem integração entre as camadas, cresce o risco de inconsistência entre as etapas. Quando a securitização e a distribuição acontecem no mesmo fluxo regulado, o ativo originado é convertido em instrumento emissível, registrado e distribuído dentro da mesma arquitetura, sem passagens manuais.

Corretora as a Service

O pós-emissão em planilha

Depois da emissão, as obrigações continuam: fluxo de pagamento por investidor, eventos do ativo, posição, reporte regulatório. Feito manualmente, isso gera risco operacional e um custo de pessoal desproporcional ao tamanho da operação. 

Com a automação do ciclo de vida do ativo, o pós-emissão deixa de ser passivo operacional e passa a ser dado estruturado, consultável em tempo real.

A jornada fragmentada do investidor

Onboarding em um sistema, produto em outro, posição em um terceiro e comunicação em um quarto, cada ponto com uma marca diferente. A experiência é fragmentada e o relacionamento, difuso. 

Com uma plataforma única, com a marca do cliente e integrada ao back-office regulado, KYC, suitability, investimento, posição e fluxo de pagamento acontecem na mesma interface. O investidor não vê a infraestrutura, vê a instituição que escolheu.

O custo fixo repetido a cada operação

Como cada operação monta de novo a mesma máquina, o piso nunca baixa. Uma operação de menor volume carrega praticamente o mesmo custo fixo de estruturação jurídica, veículo e prestadores que uma operação muito maior. 

Quando a infraestrutura é compartilhada, o cliente acessa uma estrutura já existente e paga pela utilização, e operações de menor volume passam a fechar a conta.

Quando a cadeia roda numa base só, essas trocas deixam de existir.

O que Corretora as a Service não é?

  • Não é comprar ou alugar uma licença: isso não existe no regime regulatório brasileiro. A autorização é intransferível e permanece com a instituição autorizada;
  • Não é atalho regulatório: o modelo não elimina KYC, suitability, PLDFT, obrigações de informação ou qualquer supervisão. Elimina a necessidade de construir a estrutura autorizada, não a necessidade de cumprir as regras;
  • Não é marketplace: não é uma vitrine onde o cliente coloca o produto. A marca na frente é do cliente. A base de investidores é do cliente. A curadoria é do cliente;
  • Não é SaaS de prateleira: software fechado entrega tela e para na fronteira regulatória, exatamente onde o problema começa.

Exemplo prático: como uma operação funciona do ativo ao investidor

Para tangibilizar o modelo, o exemplo a seguir é simulado e tem caráter ilustrativo. Ele representa um fluxo operacional compatível com o que o modelo viabiliza na prática.

Cenário simulado: uma gestora independente tem acesso a uma carteira de recebíveis comerciais performados de empresas do setor de saúde, com histórico de adimplência consistente. Ela quer estruturar uma emissão de nota comercial para distribuição a investidores qualificados, com a própria marca e com controle sobre a jornada do investidor.

O exemplo percorre as mesmas oito etapas descritas acima. Em cada uma, a troca de prestador, de contrato e de sistema é substituída por uma passagem dentro da mesma base.

Etapa 1: originação

A gestora identifica a carteira de recebíveis comerciais performados do setor de saúde e a leva para a infraestrutura, com o histórico de adimplência e a documentação dos ativos.

Etapa 2: DCM e qualificação

A carteira é analisada e qualificada: qualidade do crédito, concentração por devedor, adequação do lastro e definição da estratégia de captação. A partir daí, a operação ganha seus parâmetros: nota comercial, prazo, remuneração e público-alvo de investidores qualificados.

Etapa 3: securitização

O ativo é estruturado e convertido em um instrumento emissível. O veículo jurídico é formalizado, e o instrumento passa a ter forma, regime tributário e fluxo de pagamento definidos dentro do regime regulatório vigente.

Etapa 4: emissão e tokenização

A nota comercial é emitida em formato digital. Aqui a tokenização aparece como o que é, uma técnica de registro e execução: o instrumento passa a carregar nativamente as regras da operação, como quem pode deter, como transfere e como o fluxo de pagamento se distribui entre os detentores.

Etapa 5: registro

O instrumento é registrado na infraestrutura com a documentação vinculada. Cada evento do ciclo de vida do ativo (emissão, pagamento de juros, amortização, liquidação) fica rastreável desde a origem, sem reconciliação manual e sem dependência de extrato de terceiro para saber o que aconteceu com a operação.

Etapa 6: oferta e distribuição

A oferta acontece pela instituição autorizada responsável pela distribuição, integrada à operação por uma camada de orquestração. A gestora distribui com a própria marca, e o investidor acessa a plataforma da gestora. Na mesma jornada, passa por KYC e suitability e investe na nota comercial. A distribuição é regulada, com todos os controles exigidos, mas a experiência é da gestora.

Etapa 7: liquidação

A liquidação da oferta e o fluxo financeiro entre investidor, emissor e agentes acontecem dentro da mesma estrutura. O investidor consulta a posição atualizada em tempo real, sem depender de confirmação enviada por terceiro.

Etapa 8: pós-emissão

Relatórios regulatórios, controle do fluxo de pagamento, posição por investidor e obrigações de informação são geridos pela infraestrutura, não por planilha nem por processo manual. A gestora tem visibilidade completa da operação sem precisar operar cada etapa individualmente.

Corretora as a Service

Três leituras do mesmo movimento: o que muda para cada agente de mercado?

O modelo não impacta todos os participantes da mesma forma. 

Para entender o que está em jogo, é mais útil analisar o que muda estruturalmente para cada perfil do que listar benefícios genéricos.

Para quem investe

O ganho não é acesso a um mercado novo, é a transparência sobre um mercado que o investidor qualificado já acessa, com mais espectro dentro dele. 

Um ativo emitido em formato digital dentro de estrutura regulada carrega documentação vinculada

, fluxo rastreável e posição consultável sem depender de extrato enviado por terceiro. O investidor sabe onde está o dinheiro e o que acontece com a operação, e não apenas quando o gestor envia o relatório mensal.

Além disso, operações que antes não chegavam ao mercado organizado por causa do custo de estruturação passam a ser viáveis: crédito estruturado de originadores regionais, recebíveis de setores específicos, operações imobiliárias de porte intermediário, estruturas de agro e energia. 

O espectro se amplia, não porque o risco diminuiu, mas porque o custo de chegar ao mercado caiu.

Para quem gere: gestoras, family offices e estruturadores

Gestoras independentes e family offices construíram marca, base de clientes e reputação de curadoria. Para esses agentes, a questão do movimento digital não é tecnológica, é onde fica o relacionamento. 

Se a jornada digital do investidor acontece dentro da plataforma de um terceiro, com a marca de um terceiro, o relacionamento tende a migrar para ele.

O caminho é separar o que é diferencial do que é infraestrutura. Marca, jornada, curadoria de ativos e responsabilidade fiduciária com o investidor são diferenciais. 

Nenhum investidor escolheu uma gestora porque o módulo de KYC dela é bom. Onboarding, registro, custódia, escrituração, liquidação e a estrutura autorizada para distribuir são infraestrutura, e terceirizá-la não é abdicar do controle, é focar no que realmente diferencia.

Para gestoras, family offices e assessores de investimento que querem estruturar, ofertar e manter o relacionamento com o investidor sob a própria marca, a porta de entrada é o modelo de Estruturadores Autônomos de Investimentos (EAI), que permite originar, estruturar e distribuir operações com autonomia, dentro do ambiente regulado. 

Instituições que já têm a autorização necessária e buscam apenas a camada tecnológica contam com a Plataforma Whitelabel BlockBR.

Para quem origina: securitizadoras, fundos de crédito e empresas com carteira de recebíveis

Para o originador, o movimento é o mais direto dos três. Estruturar sob o modelo reduz o custo de levar a operação ao mercado e amplia o espectro de quem pode acessá-la. 

Uma carteira que antes só fazia sentido em um veículo de porte mínimo passa a fazer sentido em uma estrutura menor, porque o custo fixo de execução caiu. Uma operação que dependia de um único distribuidor para ser viabilizada passa a poder circular em mais canais.

O pós-emissão também muda de natureza. Em vez de passivo operacional gerido por planilha, a posição por investidor, o fluxo de pagamento e as obrigações de reporte tornam-se consulta estruturada. 

O originador passa a ter visibilidade em tempo real do que acontece com a carteira depois que ela foi ao mercado, e isso muda a forma como ele pensa a próxima emissão.

A tokenização de ativos é técnica, não produto: uma correção necessária

A categoria de tokenização de ativos sofre de um problema crônico de comunicação que distorce as decisões de mercado. 

Muita energia foi gasta posicionando tokenização como produto de investimento, algo com rentabilidade diferenciada, acesso exclusivo ou classe nova de risco.

Isso está errado, e as consequências dessa crença são visíveis em projetos que foram ao mercado como “ativos tokenizados” e encontraram investidores institucionais completamente indiferentes.

Tokenização é uma técnica de registro e execução. O que muda quando um ativo é emitido em formato digital não é sua natureza econômica, não é a rentabilidade, não é o risco do devedor, não é a classe do ativo. 

O que muda é que o instrumento passa a carregar nativamente as próprias regras de operação: quem pode deter, como e para quem transfere, como o fluxo de pagamento se distribui entre detentores, quem tem visibilidade sobre qual posição. 

O que antes vivia em contrato e era executado manualmente passa a viver na estrutura do próprio ativo.

  • Isso tem consequências econômicas reais:
  • Automação de eventos reduz custo operacional;
  • Rastreabilidade nativa elimina reconciliação manual;
  • Documentação vinculada ao instrumento elimina dependência de sistemas externos para saber o histórico da operação.

Tudo isso derruba o custo fixo, e fazer isso abaixa o piso econômico que define quais operações chegam ao mercado, o que traz para o mercado operações que hoje ficam de fora, porque estruturar estava caro demais para o volume disponível.

E é exatamente por isso que tokenização sozinha nunca foi suficiente. Emitir um registro digital é a parte tecnicamente simples. 

Ofertá-lo legalmente, dentro de estrutura autorizada, com KYC, suitability, controles de PLDFT e cumprimento de todas as obrigações informacionais, é onde o problema estava o tempo todo. 

O modelo de Corretora as a Service fecha esse gap: conecta a capacidade técnica de emissão digital à estrutura regulada de distribuição que permite que o ativo chegue ao investidor dentro das regras.

Corretora as a Service

A BlockBR como infraestrutura central do modelo de Corretora as a Service

A BlockBR é uma infraestrutura de mercado para ativos digitais regulados. Ela permite que terceiros criem, operem e escalem negócios financeiros digitais dentro do mercado regulado, sem conflito de interesse e sem disputar a relação com o investidor final.

Na prática, o que a BlockBR faz é manter a cadeia numa base só. Isso inclui o ambiente operacional da jornada do investidor (onboarding, KYC, suitability, posição, fluxo de pagamento e reporte, com a marca do cliente e integração por API aos sistemas internos), uma camada de orquestração institucional que integra os participantes regulados da operação, cada um no seu papel, e a estruturação de operações, incluindo a tokenização de direitos creditórios, que converte o ativo originado em instrumento emissível dentro do fluxo regulado. 

Cada operação tem o regime jurídico e o instrumento adequados à natureza do ativo. 

O papel da BlockBR não é competir com quem usa a infraestrutura. É ser a camada que permite a gestoras, securitizadoras, family offices e Estruturadores Autônomos de Investimentos operar sem precisar construir do zero uma estrutura que não é o negócio deles. 

Gargalos reais do modelo atual e como o Corretora as a Service os resolve

Nomear os gargalos com precisão é mais útil do que descrever soluções em abstrato. 

O mercado de distribuição de valores mobiliários carrega fricções estruturais identificáveis, e o modelo de Corretora as a Service foi construído para atacar cada uma delas de forma específica.

Gargalo 1: custo fixo de estruturação que exclui operações de menor porte

Como se manifesta: uma operação de crédito estruturado carrega basicamente o mesmo custo fixo de estruturação jurídica, veículo e prestadores que uma operação 10x maior. O custo não escala com o volume, existe de qualquer forma. Isso cria um piso econômico abaixo do qual a operação não é viável, independentemente da qualidade do crédito.

O que o modelo resolve: infraestrutura compartilhada derruba o custo fixo por operação. O cliente não paga para construir a estrutura, acessa uma estrutura já existente e paga pela utilização. Operações de menor volume passam a fechar a conta. O piso se abaixa. O mercado se abre para ativos que hoje ficam de fora não por falta de qualidade, mas por impossibilidade econômica de estruturar.

Gargalo 2: pós-emissão gerido por processo manual e planilha

Como se manifesta: após a emissão, as obrigações continuam, controle de fluxo de pagamento por investidor, reporte regulatório, gestão de eventos do ativo, atualização de posição. No modelo tradicional, boa parte disso é gerida manualmente, com risco operacional relevante e custo de pessoal desproporcional ao volume da operação.

O que o modelo resolve: automação do ciclo de vida do ativo desde a emissão. Fluxo de pagamento, posição por investidor, obrigações de reporte e eventos do ativo são geridos pela infraestrutura. O pós-emissão deixa de ser passivo operacional e passa a ser dado estruturado consultável em tempo real.

Gargalo 3: jornada do investidor fragmentada entre múltiplos sistemas e marcas

Como se manifesta: o investidor faz onboarding em um sistema, acessa o produto em outro, consulta posição em um terceiro e recebe comunicação regulatória de um quarto. Cada ponto de contato tem uma marca diferente. A experiência é fragmentada e o relacionamento, difuso.

O que o modelo resolve: plataforma única com a marca do cliente, integrada ao back-office regulado. KYC, suitability, investimento, posição, fluxo de pagamento e comunicação acontecem dentro da mesma interface, sob a mesma marca. O investidor não vê a infraestrutura, vê a instituição que escolheu.

Gargalo 4: securitização desconectada da distribuição digital

Como se manifesta: o ativo é estruturado por um agente, emitido por outro, registrado por um terceiro e distribuído por um quarto, cada etapa em sistema separado, com processos de handoff manuais entre eles. A securitização acontece de um lado e a distribuição digital do outro, sem integração entre as camadas.

O que o modelo resolve: securitização integrada à camada de distribuição digital dentro do mesmo fluxo regulado. O ativo originado entra na infraestrutura, é convertido em instrumento emissível, registrado e distribuído dentro da mesma arquitetura, sem handoffs manuais, sem sistemas desconectados, sem risco de inconsistência entre as etapas.

Uma evolução na camada de execução

O mercado de capitais digital tende a se transformar de forma gradual, sem uma ruptura anunciada. 

Como em outras infraestruturas financeiras, a mudança acontece na camada de execução, enquanto a superfície (os instrumentos, as obrigações, a terminologia) continua reconhecível: 

  • O investidor continua investindo em debêntures;
  • O gestor continua distribuindo crédito estruturado;
  • O originador continua securitizando recebíveis. 

O que evolui é a forma como cada etapa é executada e quem controla o relacionamento ao final. Cada agente pode se perguntar algo diferente:

  • O investidor: o que ele enxerga sobre onde o dinheiro está, com que granularidade e sem depender de um relatório periódico de terceiro?
  • O gestor: quanto da operação é realmente dele? Marca e curadoria são suas, mas e a jornada do investidor, o registro do ativo, o fluxo de pagamento e a estrutura que permite distribuir?
  • O originador: quanto do custo de acessar o mercado é custo do mercado, e quanto é custo da máquina que o intermedia?

Essas perguntas são sobre quem controla o quê, e o que acontece quando a camada de execução migra para quem tem a infraestrutura mais eficiente.

O próximo passo é operacional

O modelo de Corretora as a Service não é uma tendência para acompanhar ou um conceito para adicionar ao vocabulário. É uma arquitetura operacional que já existe, está em produção e está sendo consumida por instituições que decidiram que não vão mais depender de terceiros para operar o que é o negócio delas.

A BlockBR, como infraestrutura de mercado para ativos digitais regulados, oferece o caminho técnico para essa transição: da dependência de terceiros para a operação com marca própria, dentro do mercado regulado, sobre uma infraestrutura construída exatamente para isso. 

Perguntas frequentes sobre Corretora as a Service

O que é Corretora as a Service?

Corretora as a Service é um modelo operacional em que a cadeia de uma operação de mercado de capitais, da originação ao pós-emissão, roda sobre uma base integrada, de modo que uma instituição possa ofertar valores mobiliários com a própria marca sem ser ela mesma uma corretora ou distribuidora. Cada participante atua no seu papel: as atividades reguladas são desempenhadas pela instituição autorizada responsável por cada operação, e a BlockBR entrega a infraestrutura que conecta todas as etapas.

Corretora as a Service é regulamentado no Brasil?

O modelo opera dentro da estrutura regulatória existente, com as atividades reguladas desempenhadas por instituições devidamente autorizadas pela CVM e pelo Banco Central. Não é atalho regulatório e não elimina nenhuma das obrigações vigentes (KYC, suitability, controles de PLDFT, obrigações informacionais, supervisão). O que o modelo faz é permitir que a instituição que o contrata opere sem precisar construir e manter a própria estrutura autorizada.

Qual é a diferença entre Corretora as a Service e uma DTVM tradicional?

A DTVM detém a autorização regulatória e é a instituição responsável perante os reguladores pela atividade de distribuição. 

Corretora as a Service é um modelo operacional que permite a gestoras, family offices e estruturadores ofertar valores mobiliários com a própria marca, enquanto as atividades reguladas continuam com a instituição autorizada responsável, com governança e responsabilidades definidas em contrato. 

A DTVM não deixa de existir nem de ser responsável.

Qualquer empresa pode usar o modelo Corretora as a Service?

Não. O modelo é estruturado para instituições e profissionais com operação financeira estabelecida: gestoras de recursos, family offices, securitizadoras, originadores de crédito, plataformas de investimento e Estruturadores Autônomos de Investimentos com carteira própria e operação estruturada. 

Não é um produto para qualquer empresa interessada em oferecer investimentos. A adequação passa por critérios de governança, capacidade operacional e alinhamento com o regime regulatório vigente.

Tokenização e Corretora as a Service são a mesma coisa?

Não. Tokenização é uma técnica de registro e execução digital, a forma como o ativo é registrado, emitido e rastreado. Corretora as a Service é um modelo operacional que viabiliza a oferta de valores mobiliários com marca própria dentro do mercado regulado. 

A tokenização pode fazer parte da infraestrutura, mas o modelo vai além do registro digital. Emitir um token é a parte tecnicamente simples. Ofertá-lo dentro do mercado regulado, com KYC, suitability, PLDFT e todas as obrigações informacionais, é onde a estrutura do modelo é necessária.

O que é necessário para estruturar uma emissão sob esse modelo?

Quatro elementos precisam existir: (1) o ativo originado, como a carteira de recebíveis, o contrato de crédito, o fluxo de receitas ou o imóvel que será a base da operação; (2) a estrutura de securitização que converte esse ativo em um valor mobiliário distribuível, como CRI, CRA, debênture, nota comercial ou cota de fundo; (3) o ambiente de distribuição, com a marca do cliente e a jornada completa do investidor; e (4) a participação da instituição autorizada responsável pela distribuição, que garante que a oferta aconteça dentro do mercado regulado.

Como a BlockBR viabiliza o modelo operacionalmente?

A BlockBR é a infraestrutura que mantém a cadeia numa base só: o ambiente operacional com a marca do cliente, uma camada de orquestração que integra os participantes regulados da operação e a estruturação do ativo originado em instrumento emissível, incluindo a tokenização de direitos creditórios. O cliente não precisa construir nenhuma dessas camadas, consome a infraestrutura e opera o negócio financeiro com a própria marca, dentro do mercado regulado. Para gestoras e family offices, a porta de entrada é o modelo EAI.

Aviso legal: A BlockBR atua como provedora de infraestrutura tecnológica para o Mercado de Capitais Digital, conectando originadores, estruturadores, instituições financeiras, prestadores de serviços e canais de distribuição. Atividades sujeitas à autorização regulatória, incluindo distribuição, intermediação, custódia, escrituração, administração fiduciária ou outras atividades reguladas, são desempenhadas pelas respectivas instituições autorizadas responsáveis por cada operação. A BlockBR não recebe nem mantém sob sua custódia recursos de investidores, salvo quando a atividade for realizada por instituição autorizada pertencente ao grupo econômico e dentro do escopo de sua respectiva autorização.

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