Fintechs brasileiras aceleram operações no exterior

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Fintechs brasileiras aceleram operações no exterior

Fintechs brasileiras aceleram operações no exterior

Parcela de companhias que atuam em outros países subiu de 2%, em 2022, para 4,1%, em 2025

O movimento de internacionalização das fintechs brasileiras está ganhando ritmo. De acordo com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que reúne 750 empresas, a parcela de companhias com operações no exterior subiu de 2%, em 2022, para 4,1%, este ano.

“A fatia cresceu por conta de fatores como uma maior maturidade do nosso ecossistema de finanças e com a realização de parcerias estratégicas no exterior”, avalia Diego Perez, presidente da ABFintechs. “Estados Unidos, México e Colômbia estão entre os destinos mais procurados para iniciar negócios.”

Na Monkey, fintech do setor de antecipação de recebíveis criada em 2016, a expansão começou em 2021, no Chile. “Escolhemos o país vizinho pela proximidade cultural e graças ao marco regulatório, similar ao brasileiro”, explica Gustavo Muller, CEO e fundador da Monkey. A expectativa é operar, ainda este ano, nos Estados Unidos e México, e chegar à Colômbia e Peru em 2026. “Vamos aproveitar o network já estabelecido na região [América Latina] e usar parceiros locais.”

Muller diz que os negócios no exterior não representam mais do que 10% da receita da empresa, mas o plano é que essa participação encoste em 25%, em 2026. Segundo o executivo, além dos acordos com companhias do setor, o avanço será pavimentado com investimento em capital humano.

“Contratamos executivos que conhecem os mercados locais”, explica. “Nos próximos 12 meses, 10% do nosso time serão alocados lá fora.” A Monkey processa de 12 mil a 15 mil notas fiscais ao dia e atende mais de 30 mil companhias. No Brasil, Petrobras e Suzano estão entre os clientes.

No Ebanx, plataforma de pagamentos que conecta marcas globais como Uber e Amazon com consumidores, os negócios além-fronteiras rodam desde o início da operação, em 2012. Os primeiros mercados conquistados foram o México e o Peru. “Hoje, estamos em mais de 20 países, como África do Sul e Índia”, diz o diretor de produto Sebastian Fantini.

Em 2024, 50,7% do volume total de pagamentos processados pelo Ebanx vieram do exterior — percentual que marcava 42,9% em 2023. Segundo Fantini, parte da evolução foi tracionada com a aterrissagem em países latinos. “Na Colômbia, registramos um aumento de 6% no número de empresas que operam com a nossa plataforma”, afirma. “No México, esse crescimento foi de 10%.”

A companhia também ampliou a oferta de métodos de pagamento, superando 200 opções, entre cartões de crédito e carteiras digitais. Este ano, passou a integrar o UPI AutoPay, sistema indiano considerado um dos mais populares do mundo. Nos próximos meses, um dos focos é consolidar a presença em frentes abertas recentemente, como a África e Ásia.

Os desafios não são poucos, lembra o diretor. “Um dos principais é a ‘fragmentação’ dos mercados”, relata. “Cada país tem um ecossistema próprio de pagamentos, com regulamentações, preferências de consumo e infraestrutura tecnológica distintas.”

No Quênia, por exemplo, o “mobile money” (transações por celular) é extremamente popular, sendo responsável por 48% do e-commerce do país, bem acima dos 14% registrados na Nigéria, onde transferências bancárias e cartões são mais utilizados, compara.

Outro gargalo é a execução dos projetos, continua Fantini. “Não basta somente abrir uma operação no país-alvo”, diz. “É preciso criar confiança entre os parceiros locais e manter a performance operacional.”

Para driblar as dificuldades, um das estratégias é conhecer a fundo as nuances dos territórios visados, ensina. “Isso significa ter times ‘no chão’, em contato direto com os reguladores financeiros e capazes de entender os hábitos de consumo de cada região.” O Ebanx montou equipes próprias em 16 dos mais de 20 países onde opera.

Alejandro Vollbrechthausen, sócio-responsável pelo desenvolvimento da área internacional do FitBank, que fornece tecnologia para serviços de meios de pagamento, diz que o projeto de globalização prevê, em 2026, garantir blocos como a América Central. A companhia começou a ampliação geográfica no ano passado, via México e Guatemala. “Estamos operando carteiras digitais conectadas a três bancos do sistema financeiro guatemalteco [G&T, Nexa e Inter Banco]”, conta.

Cássio Krupinsk, CEO e fundador da BlockBR Digital Assets, do setor de tokenização, chama a atenção para a importância do contato com escritórios jurídicos nos países atendidos. “Um dos maiores entraves para os contratos no exterior é o enquadramento regulatório, que varia muito entre os mercados”, argumenta o executivo, que atua nos Estados Unidos e segue em fase de integração com parceiros no Uruguai e Portugal.

Fonte: Valor Econômico Globo

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